domingo, 6 de fevereiro de 2011
O hino do século XX
Rolling Stones
I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try and I try
I can't get no, I can't get no
When I'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information
Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what I say
I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try and I try
I can't get no, I can't get no
When I'm watchin' my TV
And that man comes on to tell me
How white my shirts can be
But he can't be a man 'cause he doesn't smoke
The same cigarrettes as me
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what I say
I can't get no satisfaction
I can't get no girl reaction
'Cause I try and I try and I try and I try
I can't get no, I can't get no
When I'm ridin' round the world
And I'm doin' this and I'm signing that
And I'm tryin' to make some girl
Who tells me baby better come back later next week
'Cause you see I'm on losing streak
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what I say
I can't get no, I can't get no
I can't get no satisfaction
No satisfaction, no satisfaction, no satisfaction
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Abrindo o jogo: sobre o Big Brother Brasil
Há onze anos no ar e é incrível como Big Brother Brasil continua a mesma coisa. Não lembro muito bem das primeiras edições. Naquela época, à flor da juventude, eu tinha o orgulho adolescente de querer ser diferente, e nutria certo preconceito contra BBB. Mas, ainda assim, assistia; só pra depois criticar e taxar os participantes disso e daquilo, mas assistia. O fato é que acabei assistindo a todas as edições, e não tenho notado diferenças visíveis entre todas elas. Continua a mesma coisa. Que coisa? O Big Brother de sempre: Pedro Bial, participantes saradões, choro aqui, briga acolá, putaria, charges sem graça do Maurício Ricardo, etc., etc. Sem falar nos mantras pra ganhar o milhão: “Eu sou sincero”, “As máscaras vão cair”, “Odeio falsidade”, “Eu to aqui pra jogar”, etc., etc. E eu ainda assisto a Big Brother...
Quanto tédio em todos esses anos, não? Que nada! A cada ano, a coisa é sempre a mesma, e às dez e pouca da noite sempre estou à frente da tv. E assisto do primeiro ao último episódio –não compulsivamente, como através de pei per viu e globopontocom, mas o pouco suficiente da tv. E, obviamente, não me sinto um alienígena por isso, afinal até os pseudo-intelectuais são os primeiros a assistirem, embora amem fazer o que eu fazia na adolescência: assistir só pra criticar. É o gozo da crítica pela crítica.
O que faz o BBB ser o que é, além de nádegas, peitos e bíceps interessantes, é aquilo que vemos nos discursos sem graça que o Bial adora fazer no dia do Paredão, que ninguém entende, inclusive os Brothers: o “jogo aberto”. De fato, Pedro Bial não nasceu pros picadeiros, assim como qualquer outro ariano; nem pra doce ilusão dos poetas –os discursos dele em nada são poéticos, além das formas, além das figuras de linguagem. São secos, emitem, antes de qualquer coisa, um óbvio, um impensado (in)visível da realidade. São cheios de conteúdo, de coisas que estão à frente dos olhos dos Brothers e, por isso mesmo, não são vistas. Afinal, não são coisas a se ver, pois cedem ao simples fascínio da experiência muda, constante e seletiva do cotidiano. É, apenas, um “jogo aberto”, um “papo-cabeça”, onde não há margem pro “disse-me-disse”. E os Brothers sempre se fu... Porque, supostamente, prestam mais atenção no jogo em si, no duelo pelo milhão. Mas jogar é dar murros no vazio, se não se conhece o jogo.
O “jogo aberto” é o segredo do BBB, que faz com que eu, e a torcida do flamengo, assista a esse cacete todos os anos. As câmeras mostram, denunciam... Certamente há “disse-me-disse”, mas, ali, tudo está mais amostra. E isso serve como espelho: é, simplesmente, olhar para aquilo que não queremos ver em nós mesmos, porque observá-lo destruiria a referência de nosso centro, nossa caixa-preta, que nada mais é do aquilo que somos e fazemos e, por isso, concebemos como o correto, o modelo de comportamento. O “jogo aberto” é o escancarar de portas, de dobradiças gastas e enferrujadas e que, mesmo rangendo, devem ser abertas, pois quando isso acontece os discursos do Bial ficam mais inteligíveis e nós ficamos torcendo pra a novela das nove terminar. Nós gostamos de nos olhar, mas sem encararmos nós mesmos como o alvo.
Aí está uma lição, daquelas do Bial: abramos mais o nosso próprio jogo.