quinta-feira, 4 de junho de 2015
Das alturas
Das
alturas vem o meu socorro. Debruçado na janela, olhando para o céu, eu te
chamei. Fim de tarde nublado: que alegria! Porque o teu sinal não deixou
dúvidas. Não havia azul. Só havia o branco uniforme das nuvens. Ainda que eu
creia, como poderei eu continuar levando a tua palavra, sem provar do teu
poder? Creio por causa de um fim, por uma esperança, e não simplesmente porque
o texto tem um sentido em si mesmo. Creio porque encontro nessa crença a vida. E
por isso eu clamei a ti, Altíssimo, pelo meu socorro, pelo meu milagre, pela
minha vida. Pedi tua cura, em troca do meu eterno louvor. Aves negras, urubus
mesmo, começaram a passear pelo céu, num vai-e-vem que desejava levar os meus olhos.
Mas o teu céu era maior, mesmo que ainda recortado pelo lugar, e elas se foram
para o seu ninho. Orei. Busquei-te incessantemente. E no meio daquele
firmamento branco, vi tua luz, uma estrela, pequena estrela, que de repente
surgiu, e brilhava para mim. Pulsava, mesmo pequena e distante, para mim. Como
num céu totalmente nublado, coberto de espessas nuvens brancas, uma pequena
estrela poderia brilhar? Nada mais vi, nada mais ouvi ou senti. Aquele pequeno
pontinho imóvel de candeia no céu, surgido de repente em meio ao branco
contínuo, foi o sinal suficiente para aquela oração. Olhando para ele,
imediatamente eu compreendi. Depois de orar e olhá-lo, eu fechei os meus olhos,
e em silêncio te pedi ajuda. Orei. Voltando a abrir os olhos, nada mais vi
sobre o céu nublado. E a certeza do teu sinal me tomou por inteiro. Sol da
Justiça que traz em suas asas a cura.
domingo, 3 de maio de 2015
Paixão
Paixão, Cruz. Que é que foste isto, senão a expressão de um
afeto imutável? Lastro de um mandamento fundante baseado num amor de irmãos. Sentimento
que espezinha toda transgressão alheia, ao se elevar o desejo de comunhão de
uma só fé na Vida, alicerçando-se num outro amor, ainda maior, destinado ao Pai.
A paixão e a entrega na cruz expressam esse amor por nós, por irmãos, desejo de
nova aliança. O nosso grande irmão, irmão dos homens, quando veio até nós, na forma
da “Palavra” que se fez carne. Revestido de eterno amor, eis seu andar.
sábado, 2 de maio de 2015
Ele
abaixando-Se
tocou o chão de pó
vestiu a carne da criação
não afastou, mas bebeu do cálice
conhecendo do Pai, fez-Se filho
obediente, entregou a Si
e caminhou com os homens
aproximando-Se, Se afastou
abaixando-Se, Se elevou
vida e palavra estavam Consigo
em Sua paixão, deu o Seu coração
a aliança de restauração
manancial de águas vivas
Seu fim selado pelo recomeço
renovo, louvor, enlevo
terça-feira, 21 de abril de 2015
#incompletos
Nos versos do profeta
O esconderijo do teu verbo
Recôndito do cântico teu
Altar do sacrifício meu
Como o Santo dos Santos
Anseio teu ouro e tua profecia
A face da tua inabalável aliança
Leva-me ao teu encontro
Meus olhos não podem te ver
Pois escondido estás pela multidão
Do teu templo vivo
Passo por passo, pés após pés
E eu quero te ver, cada vez mais perto
domingo, 29 de março de 2015
Hosana II
Das janelas abertas
Iluminadas pelos raios da manhã
Ouvia-se
E era como a luz nas janelas
Resplandecia em ecos
No interior do teu vivo templo
Como o luzeiro nas janelas
O som reluzia
Solo de candeia na escuridão
Facho a riscar na mudez do breu
O som do deserto
Solitário clamor de intimidade
Enquanto o tempo dos surdos
Reinava sobre aquela manhã
O luzeiro tocou a retina do teu vivo templo
Solitário, ele se firmou
Ouvia-se
Cântico solitário
Solo de plateia de surdos
Solo de um só ouvinte
Tuas janelas, espelhos
Iluminadas pelo som do deserto
Do teu para o teu
Vivo e solitário templo
Meu amor
Não me importa o que há de mim; não me importam os limbos,
os reinos do esquecimento; não me importa para onde eu vou. Não são fardos que
me mantêm em ti. Quando me aproximo, a tua luz me acende apenas um desejo: o de
te amar no sempre. E é só o que me importa. É apenas isso que me mantém em ti.
Eu só vivo para isso: te amar, te amar, te amar. O gérmen do teu afeto dá-me
vida. O meu amor é te amar.
sábado, 21 de março de 2015
Humilde rei
Por gerações, o teu anúncio
Até João, não se ouviu tua voz
E tudo passou
Menos o que se falou
E eu ouvi tua voz
E tua majestade me fez chorar
Em teu berço, o teu ouro
Na palhoça de Belém, majestosa origem
Revestida da vida nua
Pelas vestes cruas
És o Éden depurado da primeira criação
Esvaziado da glória dos homens
Teu reino se elevou
E eu ouvi tua voz
E tua majestade me fez chorar
Em teu martírio, o teu poder
Renúncia, servidão
Humilde servo do teu pai
Humilde rei dos homens
Esvaziaste a ti da tua própria glória
Eis tua majestade
Teu reino dourado
Está consumado
terça-feira, 17 de março de 2015
Grande
Lembra-se do meu primeiro amor?
Daquele tempo de intimidade
Eu penso nele
Não precisei contar as estrelas
Nem os palmos do mundo
Tão somente o ver de perto
Já bastou o si
De tão pequeno, imenso
E, em mim, achei a ti
E amei-te em silêncio
E amei-te no íntimo
Pequeno, ainda te sinto no costume
Bastante, necessário
Aquele primeiro amor ainda me lembra
Quão grande és tu
Tempo de um só tempo
Presente perpétuo
Pois que não posso te abandonar
Nem que eu quisesse
Teu tempo, tempo de intimidade
Já se basta no si
Quiçá nas estrelas, nos palmos do mundo
De primeiro a último, de alfa a ômega
Foste e és meu amor
Amor de um só tempo
Temporalidade do teu tamanho
No pequeno és grande
domingo, 15 de março de 2015
Tu
Mesmo o mais o rico
Ainda que abertas as comportas do Firmamento
Faz-me morrer
Viver o desfalecimento de criação
Daí, a vida
Lá, teus louvores mais dolorosos
Arrebentam o coração
E rompem a distância de ti
Lavado em prantos
E enxugado de mim por ti
Eu posso viver
A minha morte faz-me viver
Não pelas águas vivas de fortuna
Antes, teus raios de Sol
O calor do teu amor
Tua fonte de criação
E abatido em tua adoração
Quebrantado ao som dos teus louvores
Meus joelhos procuram o chão
Terra em madrugadas frias
Amores
Água e sal, sede e água pura
Néctar das flores
Meu tudo, tudo o que preciso
Necessidade de ti que esvazia
O mundo que te busca
Tua química faz-me morrer
E faz-me viver
Para um outro
Segunda pessoa
sexta-feira, 13 de março de 2015
Teu reino
Rei deste mundo
Tua glória eu vejo
Tão límpida, tão certa
Mas de tão fugidia de teus passos
Não é mais que miragem
Eu vejo
A visão está em meus olhos
Mesmo distante, seu brilho ilumina
Fagulha de um incêndio
Ponto de um areal
As pedras rolam, porque soltas no caminho
Calços, sandálias de fé
Protegem os pés
Minha visão é teu amanhã
Minha visão são planos de aliança
Tua aliança, teu reino
Em teu berço dourado
Teu amanhã
Tão próximo, tão distante
A visão é minha
A conquista é tua
O reino há de ser teu
quinta-feira, 12 de março de 2015
Reino dos balões
Ansiosamente aguardo o dia
Continuamente eu falo, ouço e escrevo
Se corro na tua direção
Os terceiros não importam
Este mundo do entorno não importa
Lugar abandonado
Tudo existe e se realiza como de hábito
Mas nada disso faz sentido
Nada disso é meu fim
Essas pessoas
A companhia delas
O mundo que há em meio a elas
Nada disso é meu fim
Nem mesmo os líderes, seus pares e seus próximos
Eles não me conquistam
Se me seduzem
A sua estética não está em si mesmos
Está para lá do que são por si mesmos
Na transversal de um comum
De uma afetação comum
Eis meu fim
Ele me afasta do mundo e suas pessoas
Ele me alija de mim mesmo
A vida flutua
Como balão que se move na direção do sopro
Soprado, não conheço lugar de repouso
Mas o mundo-destino
Por sem chão, é éter
Nele só há balanço
Vida pulsante, balanço
O flutuar como lugar de repouso
O reino de ar, de atmosfera, de sopro
Eis meu fim
sábado, 7 de março de 2015
Juízos
Numa daquelas quarenta noites
Tu sonhaste comigo
Tu sonhaste comigo
O teu tempo
De longa duração, de espaços
infinitos
Mostraste o meu mundo
E o que nele foi feito
Por ti, clamamos
Em teu nome, escolhemos
Em teu nome, afastamo-nos de ti
Palavras que escreveram
Por teu amor, por nossos amores
São a aproximação do divino
Por rastros, formas, a língua dos
homens
Mas essa tua presença
Em intimidade
Dá-me a dimensão da tua grandeza
Que é muito maior do que os
trabalhos da mente
Que é muito maior do que meu
entendimento
Entendimento
A pureza do teu verbo
Não está na forma das palavras
Na língua, nos ouvidos, no texto
No silêncio do teu sopro
Sinto, conheço
E entendo o teu amor
O teu choro de dor
Que se estendeu ao passado e ao
futuro
Que se fez num tempo só
Num tempo mesmo
Num tempo além dos tempos
Num tempo do sempre
Pelos juízos, tu choraste no
sempre
E o meu choro
Choro de Heráclito
Não dura mais que uma noite
Pelo imenso amor
Tu sustentas os limites do físico
Pelo imenso amor
Tua pureza me alcança
Pelo imenso amor
Vivemos a criação
Sem nela restar a direção
Entendendo o teu choro
Entendo os teus planos de paz
Planos de nova aliança
Aliança de preenchimento
Soma, aderência, completude
Entendendo o teu choro
Entendo o juízo do teu verbo
Do homem, rico ou pobre, santo ou
ímpio
Não veio, não vem, nem virá
Teu verbo verdadeiro, puro
Está no silêncio do teu sopro
domingo, 1 de março de 2015
Hosana I
Com as ondas do ar, me levaste
Ao lugar sem nome, do silêncio
Sem norte, a teu esconderijo
Da angústia
Ouvi tua voz inaudível
Cujo caminho
De invisível, visível se fez
Ao interior
Meu corpo lavaste
Com toda sorte de amores
De invisível, visível se fez
Com tua presença
Ungiu-me
Com tua presença
Ungiu-me
E eu te conheci
E eu conheci
Teus planos de paz
De tão elevado que fui
Teus planos de paz
De tão elevado que fui
A ti elevo os meus pensamentos e minha voz
Grandioso és tu, fiel és tu
Aos teus pés entrego os meus amores
Deus do silêncio
Invisível Deus do visívelsábado, 21 de fevereiro de 2015
Segunda criação
Em Gênesis, logo após a
criação e o sopro em suas narinas, Deus atribuiu a Adão a tarefa de lavrar e
guardar o jardim que Ele havia criado no oriente, no Éden, lhe ordenando também
que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, porquanto
dos demais frutos do referido jardim pudesse comer livremente. Todavia, a
solidão não era boa a Adão, e Deus lhe fez uma ajudadora idônea, Eva. Ambos,
pois, habitavam o Éden, caminhavam nus e não se envergonhavam. Mas esse
primeiro tempo teve fim quando a serpente convenceu Eva de que a morte não lhe
afligiria, ao comer do fruto proibido, e ela seria como Deus, conhecedor do bem
e do mal. Agradável aos olhos e desejável por conceder o entendimento, assim a
árvore, como também os enganos da serpente, seduziu Eva. Eis o divisor de águas
entre dois tempos: a escolha de Eva e de Adão os fez abrir os olhos, e eles
conheceram que estavam nus. Imediatamente, coseram folhas de figueira, fazendo
aventais para cobrir suas vergonhas. Fez-se, pois, a ira de Deus. E caiu sobre
Adão, Eva, seus descendentes e a terra toda sorte de dificuldades, ao restarem
alijados da bênção original. Expulsos do jardim do Éden, conheceram e
escolheram, arrependendo-se Deus posteriormente de toda a criação, tamanha a
maldade do homem na terra.
Neste relato em Gênesis há
dois Adões e duas Evas: o vão entre eles foi aberto por um estado de escolha e
não por uma condição imanente à criação, que, desde o princípio, por si mesma
“era boa” aos olhos do Criador, tendo sido por Ele abençoada. O primeiro Adão e
a primeira Eva constituíam a criação por si mesma, esse estado primário de
brancura, de corporeidade latente, de matéria depurada. Constituíam um tempo
original, a infância do corpo, ou melhor: o corpo em si mesmo, a matéria, a
carne e espírito desprovidos de qualquer acervo de conhecimento. Só há aí um
nível de construção: o da fisicalidade e espiritualidade primários do ser
empírico, que é obra imediata do Criador. O “pó” e o “sopro nas narinas”, a matéria
e o espírito que a anima, vividos em sua infância. Porém, o segundo Adão e a segunda Eva, ainda
que desvelem esta mesma corporeidade primária como fundamento latente, trazem
como envoltório um segundo nível de construção, tão bem metaforizado nos seus
aventais de folhas de figueira: o do conhecimento, o do produto refinado pelas
mãos e pensamentos humanos, esse tempo do homem, da roupagem da cultura. Eis,
portanto, a fonte original do pecado: o tempo em que o homem buscou costurar a
sua própria roupa, o seu próprio mundo, desde que passou a possuir e desejar
mais o conhecimento por trás da criação, e a fazer de si um novo criador.
Ora, quando Jesus, após
jejuar durante quarenta dias e quarenta noites, fora tentado pelo Diabo no
deserto, a única coisa que ele pôde de fato Lhe oferecer foram os “reinos do
mundo, e a glória deles” (Mt 4:8): “(...) Tudo isto te darei, se prostrado, me
adorares” (Mt 4:9). Eis a dimensão em que o Diabo manifestaria o seu poder: a
segunda criação, o domínio criado pelos homens, o lugar e o tempo das criações
humanas, esse lugar em que o conhecimento
do bem e do mal e as escolhas (entenda-se:
a ação consciente) pulsam e conquistam os olhos pueris. Eis o lugar e o tempo
do pecado original. Certamente, ele não poderia oferecer a Jesus o domínio
sobre a floresta amazônica ou os ecossistemas marítimos, e menos ainda sobre o
jardim do Éden –e isto não é uma ironia. Afinal, o que de fato a serpente
prometeu a Eva? Um outro tempo e lugar: tempo em que a humanidade, ao descobrir
o conhecimento por trás da criação, poderia construir o seu próprio lugar, o
seu próprio mundo –poderiam ser como o Criador. E Eva e Adão não puderam doravante
habitar o jardim do Éden, pois não pertenciam mais ao jardim tal como os saguis
continuam a pertencer à floresta amazônica ou as baleias aos mares. Não
poderiam mais viver nus. A nudez da matéria e do espírito é o domínio da infância,
da corporeidade pura da criação original, desprovida do acervo do conhecimento.
Ambos conheceram e escolheram, constituíram uma nova criação, um segundo nível
de construção do seu ser: a criação das mãos dos homens, a cultura, o mundo dos
homens.
“(...) E viu Deus que isso
era bom” (Gn 1:21): o “mundo” com o qual Jesus fora tentado no deserto não é
qualquer mundo, mas justamente aquele do pecado original, a segunda criação, a
verdadeira fonte de pecado. Pois o mundo da criação original, isto é, a
natureza em toda a sua corporeidade nua –nua do conhecimento e das escolhas–,
“era bom”. A floresta amazônica é boa, os mares são bons, os nossos corpos por
si mesmos, em sua constituição “nua”, são, pois, inevitavelmente bons. Em
nossos corpos “nus” não há pecado. O pecado original, aquele pecado de que
somos herdeiros de Eva e Adão, mora na segunda criação que se manifesta
inevitavelmente em nós: nosso estado de consciência, de conhecimento e escolha,
de construção humana, de cultura, de roupagens costuradas à revelia da criação
original. Pecado é ação, escolha. Foge à imanência da criação nua.
Não é à toa que Jesus
disse o seguinte: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos
fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18:3); e
“(...) Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque delas é o
reino dos céus” (Mt 19:14). O primeiro Adão e a primeira Eva eram como
crianças, tamanha sua nudez. O segundo Adão e a segunda Eva já não podiam mais
sustentar a sua nudez, pois se tornaram adultos, e assim foram expulsos do
Éden. O marco divisor foi o pecado original, a posse do conhecimento e a feitura
das suas “roupas” –o mundo dos homens, a segunda criação–, justamente o
prometido pela serpente: "(...) e sereis como Deus (...)" (Gn 3:5).
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Silêncio
Fechados, os meus olhos se põem mergulhados na sua
imensidão. Mundo vasto, onde se ouve muito bem a paz da plenitude. Não há sono,
apesar do estado de inércia e quietude. Há vigília. Tudo está muito vivo, ativado. Todavia, se os lábios, há certa altura, se
põem a falar é porque eles ganharam uma vida que não lhes pertence, que lhes
foi dada, cuja fonte não vem de si. As palavras vêm, mas não da consciência. Não
foram gestadas pela razão, por nenhuma forma de controle humano. Elas têm vida própria e animam o ser. Os pensamentos, os trabalhos
da mente, estão anulados pela supremacia desse silêncio que se impõe inevitável
e majestosamente. Inevitavelmente, tamanha a sua potência de arrebatar.
Majestosamente, tamanho o seu brilho e beleza. Confortável como o colo de uma
mãe, esse silêncio me convida a nele permanecer. É alimento, nutre a minha fragilidade humana. É proteção, pois buscando-o, restando mergulhado em sua
imensidão, ele desvela o poder das palavras de oração, isto é, desvela a si como paz depurada, extrato puro e concentrado de paz. Em suma, buscando-o, oro.
Buscando-o, ligo-me à sua fonte. Eis a atmosfera dos montes. Lugar de
silêncio, lugar de escuta, lugar de revelação. No alto dos montes, há
isolamento. Ali, desprendidos do mundo material, o nosso ser pode buscar a
constituição invisível da sua existência. No isolamento do alto dos montes, podemos
experimentar esse silêncio nos olhos fechados. O seu silêncio é voz audível. Escutar
o seu silêncio é o segredo da vida dos lábios que se movem sem o pensamento.
Lábios usados. Escutar o seu silêncio é o segredo da ativação de um corpo que
pretende ser usado. O silêncio e o vazio de si.
Assinar:
Postagens (Atom)