sábado, 22 de junho de 2013

Ciclo


(Nestor Oliveira)


Passa o tempo e a vida passa
E eu, de alma ingênua, acredito
No sonho doce infinito
Plenitude, enlevo e graça
 

Que sem tortura ou revolta
Estou cantando ao luar
Vamos dar a meia-volta
Volta e meia vamos dar

Depois a estrada poeirenta
Os pés sangrando em pedrouços
E apaziguando alvoroços
A alma intranquila e sedenta
 

Murchessem todas as flores
A correnteza das horas
As trevas sobre as auroras
Os derradeiros amores

Recordo o passado inteiro
E as voltas que o mundo dá
Meu limão, meu limoeiro
Meu pé de jacarandá
 

E aquele ao léu do destino
Que inspirou tanto louvor
Cajueiro pequenino
Carregadinho de flor

Passa o tempo e eu fico mudo
Ontem ainda a ciranda
Vida à toa, a trova branda
Agora envolvendo tudo
 

O vale nativo, os combros
Várzea, montanha, deveza
Essa poeira de escombros
De que se nutre a tristeza

Velho, recordo o menino
Que resta de mim, sei lá
Cajueiro pequenino
Meu pé de jacarandá

Nós



Eu não acredito no seu anjo, mas eu acredito em você. Sujada pela distância do desconhecido, a contemplação dos meus olhos de Pinóquio enxerga a beleza do possível e luta pela crença de sua possibilidade. Meu ceticismo é como sua crença, embora os objetos não se acompanhem. Eu sou como você e é por isso que eu continuo acreditando que você crê. Por causa de nós, nunca nada é a mesma coisa. Por causa de nós, a gente se conhece. Por causa de nós, e não do seu anjo, eu continuo acreditando em você.

sábado, 15 de junho de 2013

No particular



Eis que surge o que não vejo, o que não pego, o que não sinto. E surge de tal modo que não há como resistir. A eternidade do seu instante me envolve e nada é como antes. Tudo se transforma e se eleva ao monte de luz. É tão brilhante, é tão bonito, que faz do dia o seu espetáculo de arte. Eis que surge, dali, onde sempre esteve, quieto, cômodo, em companhia. E, definitivamente, nada é como antes.