Menocchio è, possiamo dire, un nostro antenato. Ma Menocchio è anche il frammento sperduto, giuntoci casualmente, di un mondo oscuro, opaco, che solo con un gesto arbitrario possiamo ricondurre alla nostra storia. Quella cultura è stata distrutta. Rispettare in essa il residuo d’indecifrabilità che resiste a ogni analisi non significa cedere al fascino idiota dell’esotico e dell’incomprensibile. Significa semplicemente prendere atto di una mutilazione storica di cui in un certo senso noi stessi siamo vittime. “Nulla di ciò che si è verificato va perduto per la storia”, ricordava Walter Benjamin. Ma “solo all’umanità redenta tocca interamente il suo passato”. Redenta, cioè liberata.
Carlo Ginzburg|
Menocchio é, podemos dizer, um antepassado nosso. Mas Menocchio é também o fragmento perdido, atingido por acaso, de um mundo obscuro, opaco, que apenas com um gesto arbitrário podemos trazer de volta à nossa história. Essa cultura foi destruída. Respeitar o resíduo de indecifrabilidade que nela resiste a qualquer análise não significa sucumbir ao fascínio idiota do exótico e do incompreensível. Significa simplesmente levar em conta uma mutilação histórica da qual, em certo sentido, nós mesmos somos vítimas. “Nada do que ocorreu está perdido para a história”, lembrava Walter Benjamin. Mas “só à humanidade redimida o seu passado pertence plenamente”. Redimida, quer dizer, liberada.