Eu “me escondo do amor”. Por quê? Não sei, isso acontece naturalmente. O que quero dizer é que não o manifesto tão abertamente como em geral as pessoas fazem. Tenho comigo uma precaução natural que retarda a manifestação de afeto, que a deixa só pra depois de tudo certo, de tudo estar nos conformes. O meu amor surge do momento honesto e prático. Tenho consciência de que amor nada mais é do que romance, paixão, calor, entusiasmo. Na verdade, eu me escondo da maneira de se manifestar o amor abertamente. Exalá-lo a qualquer momento é algo que não acontece comigo. E aí não há arbítrio; isso simplesmente acontece, muito embora eu tenha a consciência de fazê-lo, pois é um comportamento involuntário e autônomo, sobre o qual não possuo controle mesmo querendo. A espontaneidade do meu amor se manifesta na calma e em momentos de intimidade, de relação interpessoal definida, na troca harmônica de olhares. Tudo isso constitui fatos. Não posso fugir de fatos, do “real”, do imutável. Eles simplesmente existem. Talvez, então, a pergunta deva ser mudada: ou melhor, para que serve isso? A resposta pessimista não é a melhor saída: todos os caminhos levam a Roma. Eros está abrigado em mim. Só poderá sair quando usá-lo para o seu fim. Eu só posso usá-lo, para o seu fim, em certos momentos. É isso.