quinta-feira, 7 de abril de 2011

Às bases do iceberg

Aqui estou, que coisa maravilhosa! Nunca achei que um dia teria a força que tive; sempre adiei: um dia, quem sabe... Sinto como nunca antes a circulação em meu corpo, uma leveza espiritual que me leva aos céus sem precisar de ventos. Ah, que coisa engraçada... Tão simples, tão fácil, tão perto, e a coisa nunca foi para frente. Tolice, malvada tolice. Rasguei meu peito, está à vista por dentro. Coisa linda! Coração pulsa, bate, explode coração. É rock in roll, é calor, é fogo, é destemido espírito guerreiro. De onde veio tudo isso, essa força? Não sei. Talvez sempre esteve muito próximo do que jamais pude imaginar, ou quis aceitar. É, sim... Sempre esteve aqui. Eu é que sempre fiz vista grossa, como se as coisas devessem ser de um jeito, quando na verdade sempre seguiram seu rumo. Essa força sempre existiu, de forma latente, pronta para explodir a qualquer momento. Só bastou que eu visse a verdade sob meus olhos, os exemplos que saltavam. Quanta ignorância! Ignorei a mim mesmo, como se fosse possível se contentar com a ficção das roupas. Seja lá o que foi isso, foi bom, está sendo bom. Posso dormir em paz, em relativa paz, com o espírito leve, livre, solto. Na verdade, sempre tive consciência do que estava fazendo, sempre soube o que a coisa verdadeiramente era. O que sempre faltou foi um estopim, uma faísca para a coisa incendiar e revelar seu brilho a todos. Apesar de muito mudar, as coisas parecem as mesmas agora. A verdade é que nada mudou, tudo continua. Talvez a diferença esteja apenas no fato de que as coisas estão, agora, à vista, com a pura simplicidade desvelada. Nada mudou: coisa mais estranha, mais diferente, imprevisível. Essa é a verdadeira natureza das coisas: são e simplesmente são, sem mais nem menos, sem rodeios, sem confusão de igual ou diferente. Uma óbvia aceitação, sem resistência, sem dificuldade. É a visão mais límpida da possibilidade das coisas; simples e honesta possibilidade, antes escondida sob as águas turvas e gélidas da superfície.

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