quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Filhos


Não há o que fazer. Quando eles crescem, eles vão. Eles não querem mais voltar. O novo conquistou os seus olhos, aos poucos também o coração. O velho tem outras cores, outro cheiro, outro sabor, já conhecido e sem mais encanto. O novo reluz de tão valoroso, e inconsciente vai se amoldando, se acomodando. Nada é como antes. O pai, por mais que não se queira, está longe, não fala a mesma língua que o filho. De nada valem os genes, de nada vale a gratidão. O movimento é outro, a direção é outra. Por mais que não se queira, por mais que se tente o contrário, a rachadura não vai consertar, ela vai estar ali presente. O novo que conquista destrói, consome lentamente, o que passou. Nada é como antes. Nem os mais doces sentimentos, nem a gratidão, são suficientes para mudar o que mudou. Nada é como antes, mas nada pode apagar por completo a memória do que passou. Esse é o único motivo para eu acreditar que o amor pelos pais possa ser mais que uma bela poesia, e mais do que uma simples gratidão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário