domingo, 16 de novembro de 2014
Ágape
Quando eu sei o que eu quero e tenho a possibilidade de
conseguir, eis o momento da fortuna. É por saber que eu posso conseguir, que eu
escolho não querer. Parece tolo... E é tolo, ou melhor, pragmaticamente falando
é tolo. Aí entram em jogo outras coisas. Que estão muito além do que eu posso
explicar por palavras. Coisas que eu sinto, e estão bem vivas em mim. Meus pés
sabem perfeitamente o caminho, minhas mãos sabem executar, minha mente sabe
planejar. Mas ainda assim eu sinto, algo que diz lá dentro, que a perseverança
traz sempre o melhor resultado. Ainda que eu pareça o mais tolo dos tolos, o
mais passivo dos passivos, a maior luta é aquela que a gente trava com a nossa própria
carne, com o páthos. Meus planos são
muitos e estão todos bem arquitetados. Mas quem controla o que não existe? O
futuro está lá longe. Chegar até ele requer tempo, essa coisa preciosa,
patrimônio para os historiadores. O mundo me diz só uma coisa: que a vitória se
conquista. Mas realmente há muitas formas de conquista. A luta ofensiva é só
uma delas. E por mais que eu queira, que a carne, enrubescida pela vontade do
mundo, queira o front, o que lá
dentro diz é outra coisa. Algo que eu não conhecia mas que escrevam em Provérbios 16, 32: “O homem paciente
vale mais que um guerreiro que venceu muitas batalhas, porque vale muito mais
controlar as próprias emoções do que conquistar uma cidade”. E assim eu pareço
o mais tolo dos tolos. Abaixo a cabeça e suporto a razão injusta, embora não me
dobre nem ofereça meu respeito. E não
nego absolutamente nada do que fiz, e tampouco o juízo do mundo. Tolo ao mundo. Mas muito
certo da escolha e da potência das armas recolhidas. Sinto que a renúncia deste
momento faz parte de um projeto muito maior do que meros planos de futuro. O
projeto, o grande projeto.
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