Sempre tive um certo preconceito adolescente em relação a pessoas mais velhas que eu. Ora, por que eu tenho que aceitar imediatamente a ideia de que os mais velhos, principalmente idosos, tem mais experiência que eu? Afinal, experiência nada mais é do que aquilo que se guarda, e não necessariamente o que se vive com o tempo. Sempre vi a experiência como uma lição, como apenas aquilo que se aprende. Ora, podemos aprender o tempo todo, se quisermos... Eu, por sinal, sempre quis. Sempre fui muito curioso, sempre prestei muito atenção às coisas, às pessoas, ao certo e ao errado. Por isso, o meu orgulho pessoal e a inconformidade com a ditadura da idade.
Isso é muito comum para adolescentes, para pessoas muito jovens. Hoje, eu ainda sou jovem, mas não o mesmo de antes, embora ainda deva reconhecer que há muita coisa a ser vivida. O fato é que essa visão mudou um pouco, tem mudado em meus pensamentos. Sim, mais idade traz, sob condições normais, mais experiência, independente da curiosidade ou predisposição a conhecer as coisas. Isso só serve de intensificador, na medida em que as lições naturalmente vêm por livre e espontânea pressão do mundo.
Essa constatação tão simples demorou a vir. E não reclamo disso, pois agora sei do que efetivamente se trata e como lidar com isso. A cautela é sempre um santo remédio... Essa constatação veio de minhas reflexões a partir da Astrologia: o estudo das tendências astrais, desveladas desde o nascimento, apontam de forma bastante precisa e significante para o que temos e o que nos falta. Geralmente aquilo que falta, que é apontado na carta natal, já está presente na conduta dos mais velhos. A inversão também se concretiza: em pessoas mais jovens, é difícil fornecer-lhes indicações mais precisas de suas tendências psico-astrais, porque isso justamente não se encontra muito definido na consciência da própria pessoa. Aos jovens as características presentes nos mapas natais geralmente não fazem sentido para eles próprios, devido às próprias indefinições de sua idade. O desenvolvimento da personalidade, na verdade, é uma grande lição existencial: vem com o tempo, com os cabelos brancos.
Os mais velhos, em geral, já sabem o que querem para si próprios. Já conhecem instintivamente o seu ponto de ganho e o de perda, embora não tenham a expressão disso de modo tão conscientemente palpável, como se pudesse ler num livro. O tempo inevitavelmente traz aquilo que precisamos.
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