sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Brilho do Sol

Carrego comigo uma canção perfeita, dum tal título “Fonte”. Ao referir-se ao amor, para mim, ela apenas traduz uma metáfora. A metáfora da força gerada da afeição, da energia desprendida do gosto. Aquilo de que se gosta, salvo raras exceções, está sempre muito próximo. E não é por menos. É resultado do magnetismo, da energia que se desprende naturalmente pela tendência da atenção. Pela tendência a algo. Além dum sentido hedonista, esta força tem um potencial criativo. Na medida em que tudo é possivelmente próximo, esse tudo encontra a possibilidade da existência, da sua criação. Nesse amor-metáfora está impresso o dom da criação. Aí está a divindade.

A oeste o Sol cai. Ele morre. Seu brilho é engolido pela escuridão da noite. O Sol perde o seu brilho, ele desce ao chão do horizonte sem mais forças. Aí vem o afeto pelo outro, vem a maternidade da Lua. Ela o nutre. E, então, a leste o Sol se levanta. Volta à vida. Orgulhoso e todo criativo. Ele só volta a brilhar no céu, porque antes ele se alimentou. Porque antes foi nutrido pelo afeto da noite, pela maternidade da Lua. O afeto é a fonte do Sol. E, na medida em que o Sol cria, ele inaugura a força latente do afeto de e por si. O seu brilho é a sua vontade. Ele o faz criar. Aí ele exerce a sua honrável divindade.

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