Quem é você? Eu já cansei de me perguntar. Não encontro respostas, só mais perguntas e dúvidas. Só sei que você me perturba, me tira do sério, me faz viajar por um mundo muito distante, inconstante. Você me parece ser tudo, mas me torna, todas as vezes que lhe vejo, um nada. Você me faz pensar em coisas que jamais pensei antes. Você me retira o chão, balança as minhas forças. É tudo muito irreal pelo encanto que me desnorteia. É tudo muito real pelas sensações que me causa. Você ora me faz a criatura mais sólida que há nesse mundo. Você ora me causa os sentimentos mais intempestivos que alguém pode ter, tornando-me líquido, sem forma, sem forças. Você só tem me dado a certeza de que sou vazio de certezas, de que sou instável e “balançante” como um mar de águas infinitas e em eterno movimento. Ora, que desejo imenso tenho de saber o que é você! Agora os dedos de minhas mãos não sentem, meus ouvidos estão surdos, não sinto gosto, nem cheiro... Só um de meus sentidos sempre sentiu e ainda sente: meus olhos. Mas não tenho controle sobre eles. Eles são os meus únicos meios para algo, mas parecem ter vida e desejos próprios quando lhe vejo. Não tenho forças sobre eles, e acabam me conduzindo, muitas vezes, à minha própria ruína. O que é isso?! Ah, esses meus olhos! Eles me fazem sentir os desejos mais gostosos que alguém pode ter, mas também têm provocado, a mim e a outros, dores insuportáveis. Eles sempre foram a minha principal forma de comunicação, mas, às vezes, têm funcionado como o inverso disso: têm transmitido mensagens contrárias ao que sinto por dentro. É um efeito perverso, oriundo de minhas indecisões, dessa minha natureza cruel comigo mesmo. As dores só vêm depois, depois que o fato toma vida, depois que o mal já foi feito... E isso é bom? Em certa medida, sim, porque tiramos lições. Mas, em mim, é diferente. Os meus olhos parecem estar fadados a um analfabetismo crônico: eles não aprendem nunca! Talvez seja o mesmo mal de Narciso. Veja o que os seus olhos lhe fizeram: fizeram-lhe escravo, levaram-no a seu infortúnio. Não posso ter o mesmo destino do mito de Narciso, não posso! E não vou ter! Controlá-los será tarefa árdua. Mas, o que é a vida sem desafios? Ainda mais quando é o desafio de encarar o que é você... ...a maior de todas as minhas dúvidas.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário