Por que continuar com isso?!
Confesso que me senti indo ao paraíso por aquilo
Mas aquilo já não existe mais, tudo já se foi para trás
É triste, muito triste, muito triste por nada ter existido
Por tudo ter ficado na imensidão dos saborosos pensamentos
Sem ganhar forma, sem ganhar vida, sem ganhar qualquer alento
No tempo
O encanto das belas flores se foi, se perdeu
Foi levado pela brisa do momento
Lançado à sorte como as inconstantes e preguiçosas ondas do mar
Mas vejam só
O brilho de antes ainda não se apagou
Continua aceso na memória, que viajou
Viajou para o passado, para a doce lembrança do longínquo ontem
À minha frente só há, agora, o hoje
Um novo dia, um novo sol, um novo instigante oásis
Só quero continuar seguindo, passando a página
Olhar para trás só como um aprendiz perspicaz
As sereias vêm, estão sempre vindo...
Sempre vindo a nos testar, a nos conquistar
Com o seu olhar, sedutor olhar
E ao mar, por elas, tentamos nos jogar
Mas vejam só
Há maravilhosas ninfas lá em terra firme
Esperando-nos com doces frutos, meigas e tão belas
Quanto às areias do litoral à nossa frente
Esperando-nos com o seu hálito refrescante
Prontas a nos guiar pelo campo florido e verdejante
Sobre a terra firme, precisamos pôr os pés
Atrás só há o imenso mar e o ar
Denso, ofuscado pelo brilho intenso de dias já passados
Sulcados na memória
Do que existiu e não existiu
Às ninfas do litoral...
Precisamos navegar até lá!
Só elas dão a graça aos poetas
Perdidos nos mares das sereias, sedutoras sereias
Águas, águas, cerúleas e preguiçosas águas
Que nos afagam e nos afogam
Em sua nauseante inconstância
Na volúpia de suas ondas
No charme de seu balanço
Empurrando-nos para longe de nosso descanso
Descanso...
Sobre o firme e macio chão do litoral
Sob os cálidos raios da aurora de um novo verão
Que nos enche de inspiração
Não...
O caminho para o sim, para se sentir
O jasmim das flores nos belos jardins, naturais
Que crescem próximo à praia
Pela paz, constante paz de litorais
Mas vejam só
As ninfas são mais belas que sereias
Mais belas que as impetuosas ondas azuis
De onde partiam o canto das sereias
As ninfas fazem-nos pisar sobre o chão
De onde brota uma nova vida
Regada à luz de um novo e exuberante dia
Que se abre no horizonte à nossa frente
Tudo que não foi poderá ser, novamente
Agora, em um novo chão
Nenhum comentário:
Postar um comentário