terça-feira, 1 de setembro de 2009

Fugindo do mar

Por que continuar com isso?!

Confesso que me senti indo ao paraíso por aquilo

Mas aquilo já não existe mais, tudo já se foi para trás

É triste, muito triste, muito triste por nada ter existido

Por tudo ter ficado na imensidão dos saborosos pensamentos

Sem ganhar forma, sem ganhar vida, sem ganhar qualquer alento


No tempo

O encanto das belas flores se foi, se perdeu

Foi levado pela brisa do momento

Lançado à sorte como as inconstantes e preguiçosas ondas do mar

Mas vejam só

O brilho de antes ainda não se apagou

Continua aceso na memória, que viajou

Viajou para o passado, para a doce lembrança do longínquo ontem


À minha frente só há, agora, o hoje

Um novo dia, um novo sol, um novo instigante oásis

Só quero continuar seguindo, passando a página

Olhar para trás só como um aprendiz perspicaz


As sereias vêm, estão sempre vindo...

Sempre vindo a nos testar, a nos conquistar

Com o seu olhar, sedutor olhar

E ao mar, por elas, tentamos nos jogar

Mas vejam só

Há maravilhosas ninfas lá em terra firme

Esperando-nos com doces frutos, meigas e tão belas

Quanto às areias do litoral à nossa frente

Esperando-nos com o seu hálito refrescante

Prontas a nos guiar pelo campo florido e verdejante


Sobre a terra firme, precisamos pôr os pés


Atrás só há o imenso mar e o ar

Denso, ofuscado pelo brilho intenso de dias já passados

Sulcados na memória

Do que existiu e não existiu


Às ninfas do litoral...

Precisamos navegar até lá!

Só elas dão a graça aos poetas

Perdidos nos mares das sereias, sedutoras sereias


Águas, águas, cerúleas e preguiçosas águas

Que nos afagam e nos afogam

Em sua nauseante inconstância

Na volúpia de suas ondas

No charme de seu balanço

Empurrando-nos para longe de nosso descanso


Descanso...

Sobre o firme e macio chão do litoral

Sob os cálidos raios da aurora de um novo verão

Que nos enche de inspiração


Não...

O caminho para o sim, para se sentir

O jasmim das flores nos belos jardins, naturais

Que crescem próximo à praia

Pela paz, constante paz de litorais


Mas vejam só

As ninfas são mais belas que sereias

Mais belas que as impetuosas ondas azuis

De onde partiam o canto das sereias

As ninfas fazem-nos pisar sobre o chão

De onde brota uma nova vida

Regada à luz de um novo e exuberante dia

Que se abre no horizonte à nossa frente


Tudo que não foi poderá ser, novamente

Agora, em um novo chão

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