terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vivendo e não aprendendo

Quanto mais eu vivo, mais aprendo que nada sei. É incrível isso! Eu, às vezes, fico estarrecido comigo mesmo. Como eu tomo certas atitudes, como eu pude agir dessa ou daquela forma... Isso talvez seja pelo fato de que eu não consiga controlar a mim mesmo, ou que talvez não saiba o que de fato sou ou até onde vão meus limites. Só sei que eu me surpreendo, às vezes, comigo mesmo, com meu próprio comportamento. É mais forte que eu... Esse meu comportamento, nessas vezes, parece revelar uma fraqueza minha incrível e bastante arrebatadora. Eles mostram o quanto sou frágil, o quanto a força que parece que eu tenho é pura superficialidade. É muito triste, porque tento mudar, mas às vezes é mais forte que eu. Quanto mais vivo, quanto mais experimento novas situações ou coisas, parece que mais vejo que não sei nada, que meu comportamento revela uma inexperiência constrangedora. Tenho plena consciência de meus problemas, de minhas limitações, de minhas fraquezas, mas não sei como controlar tudo isso, não sei como reverter a situação. É triste, muito triste. Além disso, isso me deixa profundamente angustiado, porque não encontro alguma saída. Tenho plena consciência de que meus problemas são sérios, mas eles parecem encontrar uma tangente, e sempre escapam a alguma solução que me vem momentaneamente. É isso que mais me aflige. Eu não consigo encontrar a puta de uma solução! Se bem que talvez aí é que esteja, de fato, a coisa: se eu, até hoje, não tenho solucionado isso, é porque eu talvez esteja buscando algo que não exista ou que está tão óbvio que não enxergo. Meus aprendizados até hoje parecem permanecer no mundo das idéias. Há algo em mim que não os faz se concretizarem. Na realidade, parece que não aprendi nada até hoje. Tudo o que tenho vivenciado não tem encontrado vida em minhas decisões e ações, parece ser tudo muito “estranho” à realidade prática. Quem sabe eu não esteja enlouquecendo? Isso deve ser efeito dessa crise existencial que ainda manifesta resquícios seus em mim. Essa minha confusão existencialista tem me tirado verdadeiramente do sério – ela consegue, de fato, perturbar minha mente. Talvez do que eu esteja precisando é mesmo refrescar minha mente com ares novos. Ela já está saturada com as várias e perturbadoras aporias que tenho vivenciado nos últimos anos. É um negócio de louco! Eu imagino que a maioria das pessoas que olham para mim acham que devo ser uma pessoa repleta de autocontrole, segura e consciente de suas decisões. Mas isso é a coisa mais inverossímil que há nesse mundo! Eu sou indivíduo extremamente problemático. A questão é que isso dificilmente se manifesta em minhas feições ou ações, porque está demasiadamente entranhado em mim. Meus problemas parecem se aglomerar asfixiosamente em meus pensamentos, e quase não encontro algum remédio para isso. Eles nascem, crescem, reproduzem-se e morrem em minha mente. Mas alguns são tão resistentes que são um mal crônico, quase incurável. Essas aporias me fazem aprender bastante sobre a vida, mas, ao mesmo tempo, eu não consigo, em várias circunstâncias, colocar seu aprendizado em prática. É um aprendizado do qual não estou sabendo usufruir. Por que será? Será isso a minha sina? Certamente não, porque não acredito em sorte, fortuna. Esse é um problema para o qual deve haver alguma solução. Eu apenas não estou sabendo encontrá-la. Mas, antes de tentar encontrar uma solução, preciso conhecer essas minhas dificuldades, esses meus problemas insanos. É só conhecendo o inimigo, que nós podemos, de fato, abatê-lo, caso contrário ele poderá até fortalecer-se com nossas ações ingênuas. Preciso conhecer os meus tormentos, as minhas dificuldades, os meus limites. O aprendizado vem justamente do conhecimento que temos sobre. Ter consciência de que sou problemático é um primeiro passo, mas não é, por si mesmo, a verdade por trás do que me aflige – preciso, de fato, ter a ciência do que é isso, ter ciência do seu conteúdo intrínseco.

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