Coisa mais chata ficar filosofando... Até porque não sou filósofo, pelo menos não de profissão. Como é que eu consigo ficar escrevendo um negócio desses?! Isso, além de broxante -veja o caso de Simone de Beauvoir e Sartre, a relação sexual deles era um pouco problemática, muito provavelmente porque o Sartre refletia sobre suas “ações” até na hora de decidir qual a posição “mais agradável”, e isso, sem dúvida, desestimularia qualquer tendência à lascívia-, é muito chato, eu confesso! Duvido que alguém se dará ao trabalho de ler uma coisa dessas, porque logicamente qualquer um tem um mínimo de bom senso. Esse existencialismo barato tem me tornado um sujeito muito sensaborão. Tudo isso tem um culpado ou culpados. São os hippies que me contaminaram com esse ar depressivo e cadenciado, cheio de idéias espalhafatosas e sem utilidade prática. Utilidade? Sejamos utilitaristas, sejamos liberais, sejamos capitalistas, sejamos os yuppies mais individualistas e anti-revolucionários que há nesse mundo! Contracultura, pra que serve isso? O importante é não perder-se a classe, a elegância. É preciso fazermos escolhas de bom gosto, não qualquer entulho que apareça à nossa frente. Se bem que as coisas trash são às vezes bastante necessárias, muito curiosas, e podem até ser educativas. Veja o caso de se assistir a Sílvio Santos na televisão: ensina-nos muito sobre o quão deleitoso é admirarmos grana, mufunfa, money. Ora, há algo mais interessante e “pós-moderno” do que sermos individualistas e apreciarmos uma boa grana?! Chega desse papo já brega de que dinheiro não traz felicidade. Quem pôde inventar uma barbaridade dessas?! Ora, eu nunca vi alguém sem dinheiro e feliz... Temos que nos integrar ao sistema! Tomar vinho e achar graça assistindo àquelas discussões nonsense do “Saia Justa”. Se bem que elas parecem muito com aquelas discussões “João Canabrava” do Senado Federal -às vezes, sem nenhum sentido e de um direitismo retoricamente esquerdista. Ética, pra que serve isso? Se os nossos próprios senadores, homens públicos que deveriam zelar pela responsabilidade, demonstram saber notoriamente que a carne é fraca, por que nós, humildes mortais consumidores de “Os Simpsons”, temos que estar alienados dos prazeres da vida mundana? Direitos iguais, pra que serve isso? A verdade é que as mulheres querem tomar o poder dos homens -uma ditadura feminina, quem sabe se não estamos caminhando pra isso? Mas as mulheres não vivem sem os homens, são seres incompletos, não têm o cromossomo Y.
Esse existencialismo “woodstockiano” só tem fechado meus olhos, só tem sensibilizado a níveis alienantes minha consciência, que é naturalmente prurida por pensamentos fluídos. Não há algo mais chato do que manter um blog com textos profundamente pensados, densos, repletos de uma aura meio trágica, quase que como se eu fosse um suicida autodenunciante. Essa tarefa de manter um blog é um negócio meio “Edward, Mãos de Tesoura”, no sentido de que é uma loucura misturada com tragicidade. É por isso que algumas pessoas me acham -pelo menos eu suponho- meio emo, sabe? Mas eu não sou emo, porque, em primeiro lugar, detesto rock, e, em segundo, apenas corto meu cabelo da forma certinha como sempre cortei desde que me entendo por gente. Se os emos cortam seus cabelos de forma semelhante como eu costumeiramente sempre cortei é um problema exclusivo deles, não meu -eles é que são parecidos comigo, não eu com eles. Além do mais, o meu existencialismo não é um sentimentalismo emotivo, característico dos emos; é mais -digamos...- matemático, meio logicista, que não abusa muito de liberdade poética -sem bem que há alguns textos que fogem à regra e são pura poesia.
Eu preciso experimentar coisas novas. Esse blog está precisando de textos mais simpáticos, com uma densidade menos mórbida. Talvez não seja um problema necessariamente relacionado ao fato de ser existencialista em si, mas sim em como esse existencialismo está sendo passado por meio de meus textos. Acho que os tenho escrito com um existencialismo carregadamente “contracultural” e “anti-sistêmico”. Eu tenho me posicionado em relação a um lado, de forma quase religiosa. E realmente não tenho mais certeza absoluta -pelo menos, nesse momento exato- de qual lado realmente devo estar. Porque, de fato, sou um indivíduo demasiadamente inconstante, as minhas idéias mudam o tempo todo de maneira contínua. Na verdade, essa é a única certeza de que tenho de mim mesmo, a de que sou vazio de certezas. Talvez seja por isso que sou bastante existencialista, porque essas incertezas de tudo, o tempo todo, devem ser fruto de um não-conhecimento de mim mesmo. Eu não sei o que sou, quando fui ou serei alguma coisa. O existencialismo me é benéfico, porque me dá meios para visualizar em mim mesmo algumas estabilidades que não são tão aparentes quanto em pessoas relativamente “normais”. Ser existencialista fornece algum trunfo para dar um xeque-mate sobre as constrangedoras aporias que me aparecem. É em meio a isso tudo que as crises existenciais tomam vida, afinal não se reproduz nem um tipo de estabilidade em meu “sistema”, só o seu imediato oposto, dúvidas e mais dúvidas. Eu estou me sentindo como um verdadeiro colegial na época de seu vestibular, com suas inúmeras e profundas questões sem resolução à vista.
Preciso repensar minhas idéias. Preciso repensar minhas próprias maneiras de encarar as coisas. Tudo tem se encaminhado de um modo muito estranho, insensato. Ser existencialista do modo como tenho sido tem me levado a um mar revolto, de águas bastante brutas e perigosas. Às vezes sinto que tenho fugido -não sei o porquê- de atalhos que de vez em quando aparecem, trilhando caminhos mais duros, com pedras pontudas. Esse é um mal que me atinge: é que geralmente sigo as minhas vontades próprias, num “entusiasmo” meio cego. Acho que também, quanto a isso, conta muito uma questão egocêntrica: estou sempre buscando o “melhor”, o “mais”, o “limite” a que poucos conseguem chegar. Parece meio maquiavélico, mas sinto que é uma busca por poder, que tem se naturalizado em minhas ações. O problema é que essa forma de escolha é penosa demais, cansa qualquer um. Ser ou não ser, eis a questão.
Atenção: não considerem, em sentido estrito, as coisas ditas neste texto! Ele é um autêntico devaneio meu... Não sei como pude escrever uma barbaridade dessas... (rsrs) Deve ter sido efeito da embriguez da louca inconstância! (O autor)
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